Pouco sabem, mas a palavra “você” serve-nos como o mais evidente exemplo do processo de evolução gramatical que implica no encurtamento dos vocábulos.
No final da idade moderna, por volta do século 14, para se dirigir a alguém, os portugueses utilizavam duas palavras: VOSSA MERCEDES. Tratava-se de uma locução pronominal.
Ao longo do tempo, tal expressão tornou-se menos formal, reduzindo-se ao termo VOSSA MERCÊ.
Durante o período colonial brasileiro, com o encontro das linguas e a mistura das raças, havendo tratamento mais comum e aberto, as duas palavras se reduziram a apenas uma: VOSSEMECÊ, que posteriormente se transformou em VOSMECÊ.
Por fim, finalizando o processo evolutivo, já no final do século 19, surge o conhecido VOCÊ.
Vale destacar também as variações populares, utilizadas por índios e escravos, como MECÊ, VANCÊ, VASSUNCÊ e OCÊ.
Hoje, com a advento da internet e o surgimento do internetês, a abreviação VC é empregada para o mesmo significado.
Curiosidade: em Portugal, “VOCÊ“ é um pronome de respeito. Lá, para se referir à segunda pessoa de forma íntima, usa-se com frequência a palavra TU. No Brasil, segundo o dicionário Aurélio, VOCÊ deve ser usado como tratamento entre iguais ou de superior para inferior.